ESPECIAL: Dia Internacional da Mulher Drª Elisa

Dra Elisa Maria Pinto de Souza Falcão Queiroz
06/03/2025 06/03/2025 10:50 34 visualizações

Ser mulher não é uma tarefa fácil! A conquista pelos direitos trouxe luz à mulher que vivia à sombra da sociedade, mas também trouxe encargos que sobrecarregam a saúde mental da mulher. Conciliar trabalho, casa, filhos e saúde física e mental é um grande desafio, pois há cobrança pela perfeição de todos os lados. Apesar de passados muitos anos, ainda precisamos lembrar à sociedade machista que todas as tarefas do lar e dos filhos são partilhadas entre o casal. E ao lembrarmos que a família tradicional ‘margarina’ deu lugar à monoparental, os obstáculos se tornam ainda maiores.
No meu caso, por cinco anos fui mãe solo e sofri na pele o que é cuidar dos filhos para que sejam "educados". Complementando meu texto: A família monoparental é hoje a maioria das famílias brasileiras, mesmo com os avanços do empoderamento feminino. Ainda vamos precisar de muitas gerações para exterminar o machismo estrutural, pois muitos ainda acham que ser pai é uma opção. Independente da classe social, é a mãe quem provê o lar e ainda supre as necessidades afetivas e emocionais dos filhos.
Eu vivi isso, pois passei no concurso da Defensoria Pública em 2008 e, no mesmo ano, acidentalmente engravidei do meu namorado que morava em Salvador. Retornei em 2009 da licença maternidade com uma criança de 7 meses comigo, sem qualquer rede de apoio ou experiência da maternidade, com pouco mais de 30 anos. Depois, me casei com um homem que morava em Palmas e, após 8 anos de relacionamento, me divorciei. Ao longo desses anos de separação, com toda a família residindo em Salvador, criei meus filhos mesmo trabalhando todos os dias em Porto Nacional.
Em 2023, assumi o NUDECA, ainda lotada em Porto Nacional, numa DPE que exige muito e em uma comarca que tem um sistema de Justiça muito difícil de lidar. Expandi as atividades do núcleo pelo Estado, deixando muitas vezes meus filhos com amigas ou terceiros que eu pagava para cuidar deles durante minha ausência. Em 2021, ingressei na Faculdade de Psicologia na ULBRA, no período noturno, e concilio desde então com a atuação em Porto e, desde 2023, com o NUDECA também.
Com uma experiência muito ruim com domésticas, desde 2023 optei por contratar faxineiras, mas, logo, em alguns dias da semana e nos finais de semana, sou eu quem cuido da casa. Hoje, os meninos estão adolescentes e me ajudam um pouco com as tarefas diárias, mas, em todos os espaços, sempre fui cobrada: no futebol, no inglês, na escola, na faculdade e, principalmente, no trabalho. Sempre tentando cuidar da saúde física e mental, um tempo pra mim, sigo em frente certa de que eu e muitas mulheres jamais alcançaremos a perfeição que a sociedade nos cobra, mas seguras de que estamos dando o melhor de nós a cada tarefa que a vida nos atribui.
Guerreira sempre foi o adjetivo que me deram, não por opção, respondo, mas esse tem sido o perfil da maioria das mulheres brasileiras, independentemente de sua classe social, estado civil ou cor.